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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sétima Legião @ Casa da Música: O muito aguardado regresso a casa

Sétima Legião @ Casa da Música: O muito aguardado regresso a casa:
Há algo de muito poderoso em poder regressar-se ao passado. A oportunidade de reviver-se os dias que já lá vão, em poder reencontrar-se algumas caras perdidas no tempo, em regredir, de alguma forma, a épocas mais leves, em que os problemas de então estarão hoje minorados pela distância, tem vindo a provar-se deveras aliciante. A música, máquina do tempo por excelência, há muito que se tornou em veículo prioritário, por todas as referências que possa conter enquanto obra e pela remetência imediata aos dias em que há de ter servido como banda sonora. Ao privilégio de poder ver - ou rever, em muitos dos casos - uma das bandas portuguesas mais emblemáticas dos anos 80, acresce, portanto, uma experiência de nostalgia comunitária, que se espelha numa reverência surpreendente. Assim se findou o último domingo de Abril, rumo às águas turvas da memória, a bordo de uma caravela chamada Sétima Legião.
Sob este repto, miúdos e sobretudo muitos graúdos acorreram em massa à Sala Suggia, na Casa da Música, no Porto, para o concerto inaugural dos espetáculos de comemoração dos 30 anos de formação dos Sétima Legião, coincidente, caso dúvidas houvesse, com um muito aguardado regresso aos palcos. Após receção eufórica, Pedro Oliveira (voz e guitarra), Rodrigo Leão (baixo e teclas), Nuno Cruz (bateria e percussão), Gabriel Gomes (acordeão), Paulo Marinho (gaita de foles, flautas), Ricardo Camacho (teclas), Paulo Abelho (percussão e samplers) e Francisco Menezes (letrista) encaminharam o público numa viagem que não se ficou pela história do rock português, e que se alastrou aos feitos da nação, de que fizeram temas e inspiração. Uma particularidade para além conteúdos, visto que os ritmos roubados à Manchester de inícios de 80 se fundem com a música de tradicional portuguesa, de influência celta, assegurada por instrumentos como o adufe, os bombos, o acordeão e a gaita-de-foles.
"É bom voltar a casa. O Porto é a nossa casa". Pedro Oliveira foi de poucas palavras, salvo para os habituais agradecimentos e para introduzir um ou outro tema, mas, quando se dirigiu ao público pela primeira vez, fê-lo certeiramente, ao coração já ganho da audiência portuense. À medida que o alinhamento se ia cumprindo, a vergonha sentada nas cadeiras foi esmorecendo, com alguns audaciosos a permanecerem em pé, nos lugares laterais. Sete Mares foi a óbvia deixa para que todos se levantassem e dançassem e juntassem as vozes à festa feita em palco. Por Quem Não Esqueci, mais para o final, e Glória, guardada para o primeiro encore, registaram igual adesão. Num bis previsível e muito bem vindo, coube a Sete Mares fechar o segundo encore e ultimar o fecho previsto para o concerto desta noite.
Porém, apesar das luzes acesas na sala indicarem que era hora de ir para casa, o público soube fazer-se valer da teimosia e, passados cinco minutos de chamamento pelo aplauso e através de cantos futebolísticos, os Sétima Legião, incrédulos, voltaram ao palco, para a despedida final. Temas fundamentais da discografia da banda, como Noutro Lugar, Além Tejo e Tão Só também fizeram parte do cardápio.
30 anos depois, os Sétima Legião afirmam-se como intemporais, pelo modo como foram recebidos como foram cantados e, acima de tudo, pela presença adivinhada, ainda hoje, nas biografias de cada um dos presentes na Casa da Música.
Texto: Ariana Ferreira

Fotografias: Filipa Oliveira

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Foto depois da festa.