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CANAL ARCA DO ROCK

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Por que Slash saiu do Guns n Roses?


Em 2008 foi lançada no Brasil, pela Ediouro, uma obra literária seminal que elucida várias questões envolvendo o Guns N’ Roses e principalmente a relação entre o vocalista e o guitarrista do grupo, que responde pelo nome de Saul Hudson. É o livro "Slash" (por Slash e Antony Bozza), que aborda do início de sua carreira musical até a última turnê mundial pelo Velvet Revolver.
O livro traz revelações do que foi chamado de “todas as lendas sobre sexo, drogas e rock and roll” a respeito de Slash, incluindo sua trajetória desde a infância até o fim de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. Na orelha do livro Slash frisa que não se trata de um desabafo, mas sim da história como ele conheceu e vivenciou. E um brinde aos gunners é a riqueza de detalhes acerca de sua vida, incluindo o envolvimento com as drogas e o álcool, além do porquê de sua saída do Guns N’ Roses – este sendo o ponto principal deste texto.
Antes de qualquer coisa é preciso ressaltar que o próprio músico nascido em Stoke-on-Trent (Inglaterra) e crescido em Los Angeles admite que seus relatos parecem “exagerados”, mas isso não significa que não aconteceram. Em dado momento da obra é afirmado por Slash que Axl certamente possui outra visão/versão para os mesmos fatos vivenciados conjuntamente nos áureos tempos do GN’R.
A partir de agora serão esmiuçados os fatos que dizem respeito à relação de Slash com seus ex-companheiros de Guns N’ Roses, cheia de especulações por muitos dos fãs da banda.
Já no início do livro, Slash dá uma declaração que enaltece o baterista Steven Adler, expulso do grupo em 1990 em plena gravação do disco duplo "Use Your Illusion" por excesso de drogas. Slash afirma que deve tudo em sua carreira a Adler, que conheceu na escola aos 13 anos (1978). “É graças a ele que toco guitarra”, revela o músico, para quem o ex-baterista do GN’R “é o tipo de desajustado que apenas uma avó pode amar, mas com quem não pode conviver”. Ele conta que de início ouvia junto de Adler o grupo Van Halen, pelo qual ficou fascinado com os solos de guitarra de Eddie Van Halen, em “Eruption”.
Slash descreve as confusões colegiais tidas ao lado do colega que, segundo ele, dava muita importância principalmente aos grupos Kiss, Boston e Queen. Já para o guitarrista, os anos 60 e 70 foram a época “mais criativa do rock and roll”. Slash confessa que o disco "Rocks", do Aerosmith, o influenciaria sobremaneira, através das primeiras notas de “Back In The Saddle”.
Do apelido dado pelo ator Seymour Cassel, Slash admite não ter vocação para a liderança. “Basicamente, não tenho a personalidade para ser um líder de tipo algum”, entrega. Isso, obviamente, é suscitado porque anos depois muitas brigas de comando ocorreriam com o colega Axl Rose. Ele diz também que sempre procura ver o melhor das pessoas, não importando o defeito delas. No decorrer da obra, Slash afirma que tentou prosseguir com o GN’R mesmo "enfrentando" o polêmico vocalista.
Em seguida diz que é “indigno de ouvir” o movimento punk de Los Angeles, ao contrário da cena vista em Londres e Nova Iorque. A partir dali descreve como conheceu Izzy Stradlin e Duff McKagan; este último com quem possui até hoje estreitos laços de amizade, ao ponto de ter formado o Velvet Revolver no começo dos anos 2000.
Na sequencia é mostrada a transição entre os grupos seminais L.A. Guns e Hollywood Rose, pelos quais os membros fundadores do GN’R passariam – Slash, Duff e Steven pelo primeiro e Axl e Izzy pelo segundo. Neste trecho da obra o guitarrista conta como conheceu “o melhor cantor de Hollywood naqueles tempos” (Axl).
No capítulo 5 (“Azarões”), Slash descreve uma peculiar característica do guitarrista-base Izzy Stradlin. Ao mencionar a mudança do segundo guitarrista do Hollywood Rose – a demissão de Chris Webber sem o consentimento de Izzy –, ele afirma entender a personalidade do futuro ex-colega de guitarras no GN’R. “Agora sei que sair em disparada é o mecanismo de defesa de Izzy quando acha que as coisas não estão muito bem: ele nunca faz estardalhaço em torno disso, apenas sai e não olha para trás”. Tais palavras de Slash explicariam a atitude de Stradlin ao deixar o Guns em 1991 sem maiores explicações.
Por sinal, a debandada de Izzy intriga e entristece até hoje os fãs ardorosos da formação clássica do GN’R. Nesta visão, pode-se concluir que no período em que o Guns mudou seus padrões com a saída de Steven e a inclusão de teclados e metais na banda, o então guitarrista-base abandonou o barco por discordar dos rumos ora tomados por todos.
Slash recorda que se tornou “realmente bom amigo” de Axl durante o período em que o vocalista morou com a família Hudson. Para ele, os traços típicos de Rose são de uma pessoa “sensível, introspectiva e que passava por acentuadas mudanças de humor”. Por esta descrição, Slash justificaria muitas atitudes futuras e consideradas por ele como erradas.
Para Slash, o traço de personalidade "baderneiro" de Axl os unia, “desde que não prejudicasse o profissionalismo”. Entretanto, a característica reincidente do vocalista em causar atrasos nos shows e discórdias quanto ao futuro da banda após o lançamento do disco de covers "The Spaguetti Incident" (em 1993) o descontentaria profundamente.
Entre tiradas ao grupo Poison e citações à grande influência do Hanoi Rocks e do New York Dolls, Slash lembra que Axl tivera envolvimento com uma ex-namorada sua de nome Yvonne possivelmente em 1984. “Durante um dos períodos em que resolvemos dar um tempo no relacionamento, Axl transou com ela. Fiquei contrariado à beça”, confidencia o guitarrista. Portanto, a futura ‘birra’ dos dois tem raízes mais profundas do que se imaginava.
Slash ainda conta como foi a entrada no Guns N’ Roses e que via na figura de Izzy um “amortecedor” em relação ao frontman da banda. “Axl e eu nos entendíamos bem de várias maneiras, mas tínhamos diferenças inatas de personalidade”, reforçou o guitarrista. Neste instante, ele reitera que o grupo era único em suas características e realizava um sonho profissional. “Não havia nem um pouco da típica atmosfera existente em Los Angeles, na qual a meta era obter um contrato para um disco. Não existia preocupação em relação às poses apropriadas ou refrões babacas de apelo comercial que poderiam levar ao sucesso nas paradas”, classificou.
O guitarrista explica que em seu início o Guns N’ Roses se assemelhava a uma gangue, pois se reunia para fins específicos e possuia comportamento delinquente e antissocial, ao ponto de não aceitar críticas de ninguém, nem dos próprios colegas. Muito da autodestruição da banda pode ser vista nesta menção à personalidade explosiva de cada um dos integrantes.
“Eu nunca havia estado numa banda em que músicas que achava tão inspiradoras fluíam tão naturalmente”, enalteceu Slash, a respeito dos primeiros passos da banda, incluindo série de shows e composição. Algo relevante que se pode concluir pelas palavras do guitarrista – e que seria reforçado mais adiante no livro – é que a dissolução do GN’R está intimamente ligada ao rompimento do processo de criação/composição das músicas com o passar dos anos. Ou seja, cada vez mais os músicos se distanciaram com a expansão e descaracterização da banda iniciada em meados dos anos 80.
Após explicações sobre as negociações com empresários no início da carreira e de como odiavam as bandas chamadas de glam de Los Angeles, Slash cita que Axl começava a adquirir a reputação de “genioso” e que podia “subir nas tamancas a qualquer momento”. A seguir traz informações a respeito de como notou “algo diferente” em Steven, pelo uso de heroína, além da passagem em que Axl conhece Dizzy Reed, então integrante da banda Wild e que depois se juntaria ao GN’R para implantar teclados e maior complexidade ao grupo.
Fora a acusação conjunta com Axl de estupro de uma garota, Slash menciona o primeiro contrato com gravadora (Geffen Records), em 1986. A partir dali, com a entrada do empresário Tom Zutaut, o grupo começaria uma guinada, vindo a se autodestruir no decorrer do tempo. “Deixáramos de ser mais um bando de desordeiros sem nada a perder, passando a ser desordeiros com apoio corporativo”, considerou o guitarrista.
Além disso, Slash recorda como os membros da banda conheceram o músico West Arkeen, que os apresentou “as sutilezas da pureza da cocaína”. Por ironia do destino, depois de colaborações com o GN’R no começo dos anos 90, Arkeen morreria de overdose da mesma droga. A criatividade latente dos músicos era tão grande no período inicial, que a letra do petardo “Mr. Brownstone”, que fala de um dia da vida deles na época, foi escrita em um saco de papel de mercearia.

2 comentários:

metal spirit disse...

The Cat In the Hat é o documentário de slash que está prestes a sair, mais pormenores em http://metalspirit666.blogspot.pt/

David Emanoel Martins disse...

:((( triste pra caraio, essa postagem é muito rara de encontrar!

6º ARCA DO ROCK

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Foto depois da festa.